Tchau-tchau! A partir de agora é melhor considerar a transferir todos os seus vídeos do Vimeo e coloca-los em outra plataforma.

Isso não porque é porque problemas em relação à reprodução em segundo plano ainda sejam um problema depois de meia década.

É porque o Vimeo não pode nem mais garantir a segurança da sua conta. Ela pode ser apagada a qualquer momento.

O DMCA claim

Como muitos outros diretores, filmmakers e cineastas de maneira geral, gostamos de compartilhar o nosso trabalho. É pra isso que usamos o Vimeo.

Ao fazer isso, nós podíamos nos envolver intimamente com a produção de um clipe musical e ter aquelas imagens pra si.

Claro que ter a música é uma coisa completamente diferente.

É incrivelmente fácil ter um algum tempo de reclamação do tipo “DMCA claim” no Vimeo, que nada mais é do que uma violação aos termos do Digital Millennium Copyright Act, uma lei norte-americana que regula o uso de conteúdo artístico.

Esse problema é ainda pior pra quem já é um fiel usuário da plataforma — principalmente pra quem já usa o Vimeo há ANOS.

Quem já teve problemas

James Miller por exemplo, colaborador de anos de Philip Bloom, tem um problema com o DMCA de 10 atrás! Aparentemente, no Vimeo, esse tipo de coisa é como uma ficar acorrentado pelo tornozelo a uma bola pela eternidade. Uma vez que você tem um problema desses, você já pode começar a fazer os preparativos para seu próprio funeral na plataforma.

Não é muito fácil descobrir desde quando é assim, mas o Vimeo tem uma política de que se você “viola” três vezes algum dos itens do DMCA, bem, você está fora. E com “fora” eu realmente quero dizer “sua conta inteira será deletada”. Todos os seguidores, todas as estatísticas, tudo será deletado. Não há chance de você fazer download de seus vídeos antigos. Todos os comentários dos usuários e feedbacks importantes jogados na lixeira.

Hoje, uma grande parte dos usuários da plataforma descobriram sobre a política DMCA pela primeira vez quando o Vimeo mostrou a mensagem que você viu acima pra qualquer um deles que já tenha duas violações consideradas pelo site — sejam elas quais forem e notificadas de quaisquer formas. Apenas duas. Isso não é nada. Você está a um passo de ter tudo o que tem deletado.

Por quê isso é um problema

Como filmmakers, é preciso que a gente compartilhe nosso portfólio online. Infelizmente há algoritmos especializados que já colocam seu vídeo como algo que “viola” a política da plataforma num piscar de olhos — e isso prejudica muito porque a violação acontece antes mesmo de você saber que ela é algo “ruim”, segundo a política do site.

Vimeo acaba por falhar em garantir a segurança que precisamos dentro da sua plataforma, e é por isso que algumas pessoas já tem optado por deixar a plataforma.

Mesmo que você tenha alguma afinidade com o artista que você use a trilha, você pode acabar tendo problemas nesse sentido.

A identificação de conteúdo

Pra aqueles que são antes dessa era de “identificação de conteúdo”, que é feita por algoritmos especializados, e que tinham vídeos simples, com takes e teste de câmera, esse é um problema que preocupa muito.

Muitas músicas que eram de alguma forma “populares” foram usadas em vídeos antes de bibliotecas como a The Music Bed surgirem e permitirem que artistas compartilhassem conteúdo de áudio não-comercial, com uso justo, dentro de peças audiovisuais com colegas e seguidores no Vimeo.

Havia um número de viewers que procurava pelo que uma câmera consegue fazer nas mãos de outras pessoas, usando aquela música que cabe com as imagens, e encontravam uma nova linguagem de entretenimento, sincronizando as melhores músicas de artistas que gostam com as imagens que gostam. Mas agora ou você tem uma música de elevador disponível na biblioteca ou então três notificações e você tem tudo deletado.

Outros exemplos online

O YouTube, por exemplo ainda tem sua política de copyright com suas devidas restrições, mas nunca sob ameaça de derrubar suas produções e deletá-las todas — e, com tudo isso, o YouTube ainda é grátis.

A identificação de conteúdo no YouTube é utilizada para pagar automaticamente a indústria de gravações sempre que um música é tocada em streaming. Graças a isso, o YouTube consegue fazer com que músicas colocadas por fãs ou outros tipos de produções sejam reproduzidas, justamente porque isso gera milhões de dólares em reprodução em streaming, além de dar crédito e exposição àquela determinada faixa ou música do artista. O Vimeo não tem esse tipo de configuração e junto com as práticas da política do DMCA, esse é o fim do Vimeo no meu ponto de vista.

Eles podem fazer isso?

Mas o que dá ao Vimeo o direto de deletar não só sua conta inteira, bem como todo seu trabalho, todos os seus vídeos, ou mesmo músicas que tenham uma licença para serem executadas ali? O que dá ao Vimeo o direito de ameaçar seus próprios usuários pagantes com esquecimento, com base em uma reivindicação DMCA que pode até não ser “legítima”? Quais podem ser os resultados da uma retirada de conteúdo baseada num erro feito “automaticamente” pelo processo do algoritmo?

Essas antigas reivindicações do DMCA – que remontam a 10 anos para alguns cineastas e filmmakers – estão permanentemente registradas no Vimeo, deixando a maioria de nós presos por um fio. E com um portfólio online de trabalho sendo algo de tamanha importância para nossas carreiras, não podemos nos dar ao luxo de viver sempre à beira de ter tudo isso apagado. Tudo isso deve ser manuseado com cuidado por quem faz o host desse conteúdo. Deve haver a política certa, adequada ao propósito, por trás da plataforma.

E o Vimeo não tem sido capaz de se configurar dessa forma, por isso a saída de produtores de conteúdo. Eles simplesmente não se envolvem com o usuário. Essa problemática tem sido trazida à tona diversas vezes. O Vimeo parece não falar da mesma forma que parece não ouvir.

Depois de 8 anos, infelizmente o Vimeo se tornou isso.

 

 

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